Na madrugada de 21 de outubro de 2025, a Nascente do Campo Belo, no Parque Nacional do Itatiaia (PNI), registrou –5,2 °C, um valor extremamente baixo para a primavera. O pico de frio foi associado a uma massa de ar polar que alcançou o Sudeste e derrubou as temperaturas em várias cidades — inclusive capitais — em pleno outubro.
O que aconteceu (e por que em outubro?)
Uma massa de ar polar avançou pelo país entre 16 e 21/10, reforçando o ar seco e promovendo resfriamento radiativo noturno nas áreas altas da Serra da Mantiqueira (acima de 2.300 m no planalto do PNI). Esse padrão, somado ao céu limpo e vento fraco nas madrugadas, favorece mínimas muito baixas, mesmo já em primavera climatológica. A Climatempo destacou o contraste do período, com frio típico de outono no Sul/Sudeste e risco de geada nas serras, na própria terça (21/10).
Embora a tendência de outubro/2025 fosse de temperaturas médias ligeiramente acima do normal em boa parte do Sudeste, pulsos frios conseguem furar a regra — e foi exatamente isso que vimos.
Onda de frio ampla: não foi só na montanha
O episódio teve alcance regional. Em São Paulo (capital), a mínima chegou a 10,8 °C na manhã de 21/10, a menor para outubro em 11 anos (desde 2014), evidenciando o caráter atípico do resfriamento.
Itatiaia em 2025: um ano de extremos

Ao longo de 2025, o PNI já vinha registrando marcas muito baixas no inverno (–6,7 °C em maio e –9,4 °C em junho, em diferentes pontos/condições do planalto). O valor de –5,2 °C em 21/10 chama atenção por ocorrer na primavera, mas se encaixa no histórico de extremos do parque neste ano.
Onde medimos?
A referência deste episódio é a Nascente do Campo Belo, estações/câmeras que acompanham as condições em tempo real no planalto do PNI e ajudam a monitorar eventos de geada, vento e visibilidade.
Impacto nas trilhas e logística (guia rápido)
Para quem guia ou pretende fazer trekking na parte alta do PNI e no entorno de Itamonte, um pulso polar em outubro traz alguns ajustes práticos:
- Janela de geada: trechos gramados e lajedos podem amanhecer escorregadios; adie passagens técnicas até o sol “soltar” a superfície.
- Camadas e abrigo: priorize sistema 3 camadas (segunda pele térmica, fleece/isotérmica, corta-vento impermeável), gorro/luvas, meias térmicas e bota com boa tração. (Boa prática de montanha; complementa os alertas técnicos de frio da meteorologia citada.)
- Hidratação e nutrição: o frio reduz a sede percebida; mantenha ingestão de água e calorias quentes (sopas, chás, carboidratos rápidos).
- Planejamento de horário: prefira ataques entre 9h e 14h, quando a insolação reduz gelo em lajedos/expostas.
- Plano B: ventos fortes e sensação térmica muito baixa pedem rotas alternativas (p. ex., reduzir exposição em cristas).
Segurança de montanha: checklist Montanha e Mato
- Briefing meteorológico até a véspera (frente fria, vento, sensação térmica).
- Comunicação: rádio/telefone satelital onde o sinal celular some.
- Kit frio: fleece, corta vento, gorro, protetor de pescoço e aquecedores químicos.
- Pernoite: se houver acampamento/refúgio, leve isolante com R-value adequado e saco de dormir compatível com –5 °C a –10 °C de conforto.


