Incêndio causado por balão atinge parte alta do PARNASO e mantém sede Petrópolis fechada

Fogo começou na região do Morro da Reunião, avançou com o vento e alcançou trechos da Travessia Petrópolis–Teresópolis; brigadistas seguem monitorando pontos quentes e possíveis reignições

Atualizado em 21 de julho de 2026

Um incêndio florestal provocado pela queda de um balão atingiu o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, o PARNASO, em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro. O fogo começou durante a noite de quinta-feira, 16 de julho, na região do Morro da Reunião, no Bonfim, e avançou nos dias seguintes em direção à parte alta do parque.

A ocorrência obrigou o fechamento temporário da sede Petrópolis e da Travessia Petrópolis–Teresópolis, uma das rotas de montanhismo mais conhecidas do Brasil. Embora as chamas tenham sido consideradas controladas na segunda-feira, dia 20, equipes permaneciam na região realizando vigilância e rescaldo devido à presença de pontos quentes e ao risco de reignição. Até a manhã desta terça-feira, 21 de julho, não havia prazo público para a reabertura.

Incêndio causado pelo balão causou grande destruição no local conhecido como “Chapadão”, caminho para os Castelos do Açu. Foto: Ernesto Viveiros / PARNASO

Queda de balão iniciou o incêndio no Morro da Reunião

De acordo com as informações divulgadas pelo próprio PARNASO, a queda de um balão provocou o incêndio na noite de 16 de julho, no Morro da Reunião. A montanha está localizada na região do Bonfim, próxima à sede do parque em Petrópolis.

Informações iniciais também situaram o fogo em uma área de transição entre a Área de Proteção Ambiental da Região Serrana de Petrópolis e o Parque Nacional da Serra dos Órgãos. Posteriormente, o PARNASO confirmou que a ocorrência atingia uma área de abrangência da unidade de conservação federal.

Durante a sexta-feira, dia 17, as ações de combate continuaram, mas o relevo acidentado, a dificuldade de acesso e as rajadas de vento favoreceram a propagação das chamas. O fogo deixou a área onde começou e avançou em direção às regiões mais elevadas do parque.

Trechos atingidos pelo incêndio

Ainda não foi apresentado um mapa oficial com o perímetro completo da área queimada. Por isso, não é possível afirmar com precisão todos os vales, encostas e ecossistemas afetados. Entretanto, os relatos disponíveis permitem identificar os principais locais por onde o incêndio começou ou avançou.

Morro da Reunião

O Morro da Reunião, com aproximadamente 1.520 metros de altitude, foi o ponto onde o balão caiu e onde o incêndio começou. A montanha fica na região do Bonfim e pertence à área de influência da sede Petrópolis do PARNASO.

Região do Bonfim

O incêndio avançou pela região de mata do Bonfim, onde está localizada a entrada da sede Petrópolis. O vale é utilizado tanto pelos moradores e produtores rurais da região quanto por visitantes que acessam as trilhas, cachoeiras e montanhas do parque.

Produtores rurais e moradores acompanharam a aproximação das chamas e auxiliaram nas primeiras ações de resposta. A região do Bonfim funciona também como acesso ao trecho inicial da Travessia Petrópolis–Teresópolis.

Isabeloca

No sábado, dia 18, um montanhista que percorria a região relatou que, ao chegar ao trecho conhecido como Isabeloca, já era possível observar que o incêndio havia alcançado grandes proporções.

A Isabeloca integra a subida entre o Bonfim e a parte alta do PARNASO. O relato confirma que, naquele momento, o fogo já havia avançado para além das áreas mais baixas próximas ao Morro da Reunião. Não há, entretanto, um levantamento oficial indicando quanto da vegetação da própria Isabeloca foi queimado.

Região do Ajax

O mesmo montanhista encontrou um brigadista nas proximidades do ponto conhecido como Ajax, onde já havia uma grande concentração de fumaça. A presença de brigadistas e as condições relatadas mostram que o incêndio estava próximo ou se deslocava pela região.

Até o momento, o PARNASO não informou se as estruturas, áreas de acampamento ou pontos de passagem próximos ao Ajax sofreram danos diretos.

Pedra do Queijo

A Pedra do Queijo aparece como um dos trechos mais claramente afetados. Segundo o relato registrado durante o incêndio, o cenário encontrado no local era de vegetação devastada pelo fogo.

Após a Pedra do Queijo, havia chamas próximas ou sobre o caminho utilizado pelos visitantes. Um grupo que estava na trilha precisou interromper o deslocamento e aguardar a orientação dos brigadistas. Posteriormente, os montanhistas foram conduzidos por uma área já queimada até um ponto seguro da trilha.

Travessia Petrópolis–Teresópolis

O incêndio atingiu diretamente trechos da Travessia Petrópolis–Teresópolis, especialmente no setor de acesso pela sede Petrópolis, entre o Bonfim e a parte alta.

Os registros disponíveis apontam impactos na sequência que passa pela Isabeloca, região do Ajax e Pedra do Queijo. Entretanto, ainda não existe confirmação oficial de que o fogo tenha alcançado os Castelos do Açu, o abrigo do Açu, o Portais de Hércules ou o trecho central da travessia em direção à Pedra do Sino.

O fato de um montanhista estar caminhando em direção ao Portais de Hércules não significa, por si só, que o atrativo tenha sido queimado. A extensão exata do fogo somente poderá ser definida após o mapeamento da área atingida.

Por que a sede Petrópolis foi fechada?

A sede Petrópolis e a Travessia Petrópolis–Teresópolis foram fechadas temporariamente no sábado, 18 de julho, por determinação da administração do parque. A medida buscou impedir que novos visitantes entrassem em uma região onde havia fogo ativo, fumaça intensa, baixa visibilidade e circulação de brigadistas.

Além do risco de contato direto com as chamas, um incêndio em terreno montanhoso pode bloquear caminhos de saída rapidamente. O vento muda a direção do fogo, enquanto a fumaça dificulta a respiração e a orientação. Árvores, galhos e pedras também podem perder estabilidade depois da passagem das chamas.

Na prática, o fechamento da sede suspende o acesso aos atrativos que partem da portaria do Bonfim, incluindo trilhas locais, cachoeiras e o início ou término da travessia. A sede Petrópolis é uma das três entradas oficiais do parque e constitui o principal acesso ao lado petropolitano da travessia.

As informações divulgadas sobre a interdição mencionaram especificamente a sede Petrópolis e a Travessia Petrópolis–Teresópolis. Não foram encontradas informações indicando o fechamento geral das sedes Teresópolis e Guapimirim por causa deste incêndio.

Fogo foi controlado, mas trabalho continua

Na segunda-feira, dia 20, o incêndio foi considerado controlado após o trabalho da Brigada de Prevenção e Combate a Incêndios do ICMBio e do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro.

Controlar um incêndio não significa que toda a área esteja imediatamente segura. Troncos, raízes, turfa, folhas acumuladas e outras partes da vegetação podem continuar queimando de maneira subterrânea ou pouco visível. Com vento e baixa umidade, esses pontos podem voltar a produzir chamas.

Por esse motivo, as equipes continuaram monitorando pontos quentes e pequenas reignições. Esse cenário também explica a manutenção do fechamento da sede Petrópolis mesmo depois do controle da frente principal do incêndio.

Área queimada ainda não foi calculada

Até o fechamento desta apuração, o ICMBio não havia divulgado o número de hectares atingidos. Também não havia um mapa oficial indicando o perímetro queimado ou um levantamento detalhado dos danos à fauna, à flora e às estruturas de visitação.

Sem essas informações, comparações com incêndios anteriores no PARNASO devem ser evitadas. Números divulgados sobre ocorrências de 2020 ou sobre o incêndio de abril de 2026 não correspondem ao episódio iniciado em 16 de julho.

A avaliação definitiva deverá considerar imagens de satélite, levantamentos por drone e inspeções de campo. Somente depois desse trabalho será possível determinar quais formações vegetais foram atingidas e quanto tempo determinadas áreas precisarão permanecer fechadas.

Uma das áreas naturais mais importantes da Região Serrana

Criado em 30 de novembro de 1939, o Parque Nacional da Serra dos Órgãos é o terceiro parque nacional mais antigo do Brasil. A unidade protege atualmente cerca de 19.855 hectares nos municípios de Petrópolis, Teresópolis, Magé e Guapimirim.

O parque possui mais de 200 quilômetros de trilhas e abriga mais de 2.800 espécies de plantas catalogadas, 462 espécies de aves, cerca de 100 espécies de mamíferos, 103 de anfíbios e 83 de répteis. Entre elas estão espécies ameaçadas de extinção e animais e plantas endêmicos da Mata Atlântica.

A Travessia Petrópolis–Teresópolis possui aproximadamente 30 quilômetros de subidas e descidas pela parte alta das montanhas. A rota atravessa ambientes sensíveis e representa um dos principais produtos turísticos ligados ao montanhismo na Região Serrana.

Soltar balão é crime ambiental

A soltura de balões não é apenas uma prática perigosa: é crime previsto no artigo 42 da Lei Federal nº 9.605, a Lei de Crimes Ambientais.

A legislação proíbe fabricar, vender, transportar ou soltar balões que possam provocar incêndios em florestas, outras formas de vegetação, áreas urbanas ou assentamentos humanos. A pena prevista é de um a três anos de detenção, multa ou a aplicação das duas penalidades.

Além da responsabilização pela soltura do artefato, os envolvidos podem responder por outros crimes caso o balão provoque efetivamente um incêndio florestal ou coloque aeronaves e pessoas em risco.

Recomendações aos visitantes

Enquanto não houver anúncio oficial de reabertura, visitantes não devem tentar acessar a sede Petrópolis, a Travessia Petrópolis–Teresópolis ou entrar na parte alta utilizando caminhos alternativos.

A administração do parque orienta que as atualizações sejam acompanhadas pelos canais oficiais do PARNASO. Informações e denúncias também podem ser encaminhadas ao parque pelo telefone (21) 97896-2463 ou pelo e-mail parnaso@icmbio.gov.br.

O incêndio iniciado pela queda de um único balão demonstra como uma prática criminosa pode colocar em risco brigadistas, moradores, montanhistas e uma área de Mata Atlântica que levou décadas ou séculos para se desenvolver. Mesmo depois do controle das chamas, os efeitos ambientais e a recuperação das áreas atingidas ainda precisarão ser acompanhados por um longo período.

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